quarta-feira, 12 de outubro de 2011

12 de outubro


O momento é tão passageiro, num instante se passaram vinte anos.
E onde estão minhas bonecas neste dia das crianças triste?
Corre nas ruas minha menina já sabida, como diria minha avó...
Ela cresceu na mesma rua que eu... Nem sabe quanto é curto o tempo, ela deseja tanto ser gente grande,
E eu nunca entendo o porque desta pressa toda, eu não consigo entender.
Menina que brinca na rua molhada, que não se preocupa com nada... que não sente o tempo passar, você é tão parecida comigo... o mesmo olhar transparente e o mesmo vestido manchado.
Menina teu tempo é de ouro, aproveita... aproveita tuas madrugadas de sonho e tua tarde de amarelinha e pula-corda, e não perde também este cheiro de terra depois que a chuva cessa.
O momento é passageiro demais... e agora é tudo tão "compromisso" tão "hora certa" que já não aguento mais. Quero chorar no colo da minha avó... dizer pra ela que tudo que eu mais preciso hoje é do seu bolo de maracujá, do seu sofá azul e do chão frio da casa dela. Feliz dia das crianças!

Tainná Vieira

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu quero a esta estrada


Agora que volto pra cá... sinto que deveria não voltar.
As coisas estão estranhas demais, e o tempo agora é o que menos importa.
Longe daqui os dias demoram mais, dá pra fazer mais coisas ...
Rapaz meu bom rapaz... não quero ficar mais aqui.
Quero fugir!
Quero o mais rápido possível sair deste lugar... sair pra um novo lar.
Amor meu lindo amor... deixe-me ir em paz, rapaz... solta a minha mão.
Não sei se o meu coração colado ainda quer ser amado pelo teu coração partido.
Sei não...
A estrada dos indecisos é a mais longa estrada.

Tainná Vieira

domingo, 25 de setembro de 2011

Saudades, já!


No agito, sigo o grito que persegue meu ouvido.
No silêncio, eu sigo o nome teu.

Você seu rapaz, me fez feliz demais agora.
Eu vou te levar comigo, como o senhor bem queira.
Para eu não dormir sozinha.
Ainda que o lugar seja hospitaleiro.
E as estrelas brilhem mais nestes novos céus.
Sem teu braço no meu ombro, vai ser ruim.
Por isso esta necessidade de te levar comigo.
Por isso a inquietação de não te deixar aqui.

No agito, sigo o grito que persegue meu ouvido.
No silêncio, eu sigo o nome teu.
Saudades, já.



Tainná Vieira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Félicité


Diante dos últimos fatos, eu digo felicidade. Digo calmaria, sono bom. Digo verdade.
Aqui os momentos são passageiros demais. Está aqui, não está. Essa alegria de ser vida, de fazer chorar de rir. A cantoria de hoje canta FELICIDADE. Será isso meu Deus o que sinto agora?
Só porque não paro de dizer que eu amo ... Que amo as pessoas e o que elas me acrescentam. Que só me fez bem todo esse tempo... as lições que a gente aprende, estão aprendidas e pronto.
O tempo é bom pra sonhar... e pra sentir essa brisa de agora, que só me traz a paz e me faz ser mais feliz.
E confesso uma estranheza danada, está de fato feliz é muito medonho. Enquanto dura este cheiro de flor doce, eu vivo e aproveito as boas sensações. Se acabar tanto faz, tanto fez... já valeu tanto a pena.


Tainná Vieira

domingo, 11 de setembro de 2011

Miragem


No caminhar desta tarde... eu vi você.
Mas não sei se foi verdade, e a verdade é esta que se vê no me caminhar... de tanto que queria lhe ver acabei por imaginar que você estava ali, com seus amigos contando as suas vantagens.
Mas agora pensando bem, ficou claro demais que não era seu rosto, não poderia ser... o rosto que vi era inocente demais pra ser seu, era gentil e alegre demais, não tinha a tua malícia rapaz... tinha não.
E quem dera eu, fosse o rosto teu ali, tão perto de mim... e quase perto do meu.


Tainná Vieira



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sentiment


Mas é muito grande a responsabilidade de colocar dentro de alguém algo que lhe falta, porque se um dia por acaso você perder este alguém, vai continuar faltando o que ele supostamente completou, e vai faltar ainda mais coisas. Por isso  nunca se deve deixar-se nas mãos de ninguém, se a gente se prende não é feliz de fato, pois depende de outro alguém. O bom é ser acréscimo, não complemento.


Tainná Vieira

domingo, 4 de setembro de 2011

Prosa na madrugada


Teria tantos títulos pra este poema. Poderia chamar de "Amiga", e até mesmo "confidente".
Poderia falar de como me sinto bem pelo fato do tempo passar, das pessoas mudarem em mim, dos gestos serem os mais simples e ao mesmo tempo os mais lindos! Não sei falar de sentimentos, as vezes faço uma coisa ou outra pra demonstrá-los, as vezes dá certo e as vezes não.
Por agora me faltam as palavras bonitas. A beleza está nos gestos de afeto, nas palavras de compreensão, nas tão boas conversas na madrugada, na tua especialidade que é o brigadeiro, na minha especialidade que é o não sei que, não sei que lá. A beleza tá no abraço, na quase lágrima, no segredo. A beleza está nisto que surge e a gente percebe pouco a pouco.
A beleza de fato está na chuva, e no minuto que a gente esquece que a vida é breve, que a gente não liga pra roupa molhada, nem para as pessoas que teimam em nos julgar. A beleza minha amiga está no não ligar!


Tainná Vieira

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Elle a insisté sur l'écriture



Calada com os botões da minha blusa, eu insisto em escrever.
Meu verso é livre agora, por isso está sem rima e sem as cores da primavera.
Meu verso não é conduta, nem prisão. É onde eu consigo libertar os meus demônios, onde está toda minha dor, toda a minha raiva... E todo amor que eu sinto.
Meu verso é complemento de mim.
É chão que piso.
É noite clara.
Clareza sem que haja luz.
Como pode ser verso então?
Não há discernimento, nem figuras de linguagem, meu verso é a verdade, a mentira e a ilusão.
O meu verso é paixão, onde revelo os meus desejos, onde expresso meu desespero.
O meu verso é desabafo, é canto triste das noites de cantorias.
Ele é meu, sou eu, e é assim que me ponho no mundo.


Tainná Vieira

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Eu penso ser Geógrafa!


Resolvi ser na vida... o que a vida quiser.
Não deu certo ser cantora, meu canto é desafinado. Poderia eu ser viajante, mas criei raízes neste lugar, me apaixonei pelas pessoas. Ainda algumas vezes passa em mente a ideia de lecionar, acho que não é uma boa ideia, mal sei de mim... então como eu poderia ensinar? Mas deixa estar que eu serei o que a vida quiser. Posso até ser boêmia, das noites mornas de lua não muito cheia... beber os poemas, escrever novos vinhos, dançar a música daqueles que ainda não sabem o que irão ser. Acho uma boa a boemia. 
Mas o que eu gosto mesmo é de querer saber das coisas, é de falar com as pessoas, sentir o cheiro da vida que brota do chão, e como este chão que piso agora se formou. Eu gosto mesmo é de tocar nas coisas, do sol e do vento no meu rosto, da chuva enquanto eu corro do frio. Gosto de andar, correr se necessário... das trilhas da vida. Eu gosto mesmo de falar, de opinar sobre coisas do meu lugar, e de ver como este lugar se transforma a cada dia mais. Por isso penso em ser Geógrafa, talvez até faça faculdade de Geografia um dia.
Foi isso que a vida quis de mim, eu aceitei. Porque eu quero conhecer o mundo. 

Tainná Vieira

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

l'amour qui ne rentre pas dans l'amour

        

         Que posso eu me queixar de vocês, se são somente vocês que colhem meus mais sinceros sorrisos, são vocês que guardam meu lugar na fila, e um também em seus corações. Que posso eu se não jogar as mãos aos céus e agradecer o fato de vocês enxugarem as lágrimas de agora e pelas vezes que vocês dizem que tudo irá dar certo. Hoje trouxeram-me as flores da estrada, guardaram um pouco do perfume que colheram da tarde e trouxeram junto. Que posso eu se não amá-los, querer o bem de cada um de vocês, se hoje em especial vocês me acolheram em seus braços, deram-me colo para que eu chorasse as lágrimas de uma vida. Me sinto tão inferior, por não fazer nada de extraordinário a meus, nada que chegue nem perto do que eles fazem por mim.

         A sorte é minha melhor companheira, a sorte de tê-los aqui comigo, da gente sair pra comer num lugar qualquer... e se divertir fazendo coisas bobas, lembrando os tempos de crianças. Estas coisas simples que eu não posso deixar calar, pois hoje o sentimento que eu tenho por vocês não me deixa não dizer o quanto é grande este amor, esta vontade de que todos caibam aqui no meu quarto, pra que possam me abraçar e dormir perto de mim, já que não gosto  de dormir sozinha.
           
         Meus amores-amigos obrigada por especialmente nos últimos dias estarem junto comigo... eu amo tanto vocês, mas tanto. Que de tão grande esse amor nem cabe no meu poema, nem cabe na minha música, nem cabe sequer dentro de todo este amor!

Tainná Vieira