domingo, 31 de outubro de 2010

Incerteza




O mundo em que eu brincava de boneca, hoje é pequeno demais.
Dentro dele já não cabe os meus sonhos e eu.
E eu durmo esperando que ao despertar encontre esse tal amanhã que tanto vejo falar.
O amanhã-futuro.
Onde eu nada sei e não percebo a rotação da terra.
O amanhã-surpreza.
Onde as vezes o sol aparece, e as vezes se perde nos meus olhos tão famintos de vida.
E amor nesse amanhã é tão sem importância, tão descartavel, a amizade tão cheia de diferenças.

E a vida velha é somente as vinte e quatro horas do amanhã, apenas um dia, uma estrada onde eu as vezes paro, sento, respiro e continuo a me perder.

O amanhã-saudade.
Onde eu nada vivi, mas sinto uma tremenda falta de não ter vivido.
E sinto saudade das palavras que eu não disse.
Das risadas que eu não dei.
Dos amigos que eu não abracei e dos inimigos que não confrontei.
Saudades dos amores que eu não beijei, dos conhecidos que eu não conheci.

Durmo na esperança de que chegue logo...
O amanhã-verdade.
Onde eu quero viver intensamente.
Amar inconscientemente.
Sonhar o impossível.
E ficar rindo da vida, e ser vida.


Tainná Vieira


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

De Mudança.





Foram as melhores noites de insônia.
As melhores despedidas, os melhores "adeus''!


Desses dias que eu passei junto a você, o que levo é alegria das nossas magoas, dos nossos recentimentos.
O que levo é você comigo, cada vez que me sinto solitária.
Levo teu jeito, teu cheiro, tuas palavras amargas de amor.
Levo a solidão e angústia das nossas lágrimas perdidas.
Levo meu medo, e pego carona na tua firmeza pra ver se chego naquele lugar... onde costumavamos planejar o mundo.
E o meu apego parece mais um grito de desespero que ecoa como vozes num vulcão.
Mas quando eu fico de bruços sobre minha janela... sempre penso que você vem, sempre enxergo aquela camisa azul que você gostava tanto. E o jeito como você balançava o seu cabelo.
Faz tanta falta pra mim... que agora me vejo entre tantos livros.
Descobrindo um mundo novo, onde nosso amor não cabe.
Não te vejo nas minhas letras de música, nem nos meus poemas românticos.
Não te vejo no francês que teimo em aprender. Nem no espanhol mal falado.
Na minha nova cultura, você não está. Nessas rodas de conversa sobre música barroca, ou sobre política boba, ou sobre os meus novos vicios.
E te sinto somente nas horas vagas, quanto fico na janela debruçada a tua espera, sem você nunca chegar!

Foram os melhores desejos...
Naquele lugar que hoje deve ter novos amantes, novos gostos, novos cheiros.
Novas mágoas, novas brigas... novas promessas de amor.
Não é mais a nossa casa, nossa mobília empoeirada, não é mais nosso jardim, daquelas flores tão murchas que exalavam um perfume, de nostalgia e de flor.

Nosso lugar preferido, onde faziamos as pazes.
Perdeu-se, na frágil monotomia dos versos que ninguém ler mais.
Não se ouvem mais as músicas, nem as festas na fogueira, nem as nossas gargalhadas e os suspiros de amor.
Perdeu-se junto com os livros que agora ninguém ler mais e nos poemas românticos que eu não vejo mais você.




Tainná Vieira

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Isso tudo que não vem.


Não são os olhos, nem os beijos, nem os abraços. Não é nada disso que me faz amar você. As cartas de amor, ou as rosas roubadas pra mim, também não é isso que me faz amolecer diante do seu cheiro. E também não é seu cheiro que me faz amar-te assim.


É toda a novidade que você me apresenta, é todo pavor que eu sinto cada vez que você vai pra longe de mim e a dor de pensar que você não me ama. É o ciúme que às vezes parece me arrancar dos olhos faíscas. Esta ânsia de te esperar todas as noites de lua. E o incrível medo dos dias de chuva sem aquele casaco velho que você tem guardado pra mim.

Nestes dias que você não vem me ver, parece que eu te amo mais. Parece que eu só te amo quando você me faz sofrer. Porque o frio fica tão cortante, a lua tão sem brilho. Os meus olhos tão sonolentos.

E a toda a verdade é que eu te amo por causa das nossas brigas, das nossas idas e vindas. De todas as vezes que a gente discorda e das outras que nem se quer nos olhamos de amor. Embora isso tudo pareça tão lógico pra você, é tão difícil pra mim confessar que te gosto mesmo nos domingos do teu sagrado futebol, mesmo nas tardes de sol que nunca aproveitamos, e nos dias de comemoração que quase nunca comemoramos.

É tão ruim amar você... Apesar de ser tão bom. Porque às vezes é só por tá perto, só pra sentir teu calor que eu te quero, e você nem vem.

 
 
 
 
Tainná Vieira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Verdade


Vi os meninos brincando na areia.


Estavam brincando, estavam brigando...

O menino disse, assim: Sai daqui! Que ele agora é meu amigo

Outro disse ainda: Ele está enganando você.

E o menino respondeu: Está me enganando não!

Percebi imediatamente nessas palavras uma verdade infinita...

Menino que brinca entre britas, você é tão verdadeiro!



Tainná Vieira

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Prosa.


Parei hoje com um amigo pra conversar.
Trocamos nossas dúvidas e compartilhamos nossos desejos.
Falamos de dor, de amor e de morte.
Falamos da ausência da sorte. 
Percebemos nossas incriveis semelhanças e nossas disparidades.
Lembramos conversas de um tempo atrás, sentimentos de um tempo atrás...
Lembramos desse tempo atrás.
Nossos sonhos de menino, nossos versinhos infantis e nossas brincadeiras de roda.
Nossos sorrisos sinceros e despreucupados, nosso desenho animado favorito.
O choro de desespero.. que era tão rapidamente calado, que era tão bobo.
As brigas entre amigos, tão facilmente perdoadas.
Lembramos e fizemos comparações, e foi tão perfeito pra mim.
A conversa mais perfeita , da amizade tão cheia de defeitos...
Você me falou sobre a sua dor, sobre seu amor... sobre a sua sorte.
Eu te falei de morte... e falei do meu amor.
E a gente se completou naquele momento, onde eu e você tão imperfeitos, nos achamos um no outro.
Nos achamos perdidos e vazios... nos achamos em nós.

domingo, 17 de outubro de 2010

Elegia


As graças de um amor que mais parece irreal, é que permeiam sempre meus pensamentos mais longínquos, minhas duvidas mais pecadoras. As graças de um amor que não virá.


E que ainda assim eu acredito...

E essa vontade desse amor acontecer é o que permeia meus sonhos e meus pesadelos que nunca acontecem por que meu sono é tão pesado. Os sonhos que nunca se realizam e que ainda assim eu os sinto...

Nem um amor, nem o maior dos sonhos... Nem a dor de ver ninguém partir, de ver ninguém chegar, nem se quer esta dor vem agora pra mim, essa dor que desejo sentir pra me sentir viva. Esta dor que já existe, mas que falta desabrochar.

E buscando sentido perdi-me. E buscando direção perdi-me. E buscando solução pra problema algum... Perdi-me.

E agora você me pergunta se eu estou triste?

Não, não... estou somente desiludida.

Tão pouco vivida e tão perdida.

O mundo já não tem tanto espaço, tem somente muita gente dividindo o mesmo passo de amor, o mesmo abraço de dor, o mesmo sorriso de flor.

Encontro inspiração apenas quando estou assim nem alegre, nem triste. Somente desiludida.

Dois quartetos e dois tercetos era um soneto que queria fazer.

E fiz apenas uma elegia.





Tainna Vieira

sábado, 16 de outubro de 2010

RegressO

  Hoje eu cantei... muito mal por sinal.
Um canto descomprimissado com meus gostos musicais.
Canto sem sentido... canto de desespero e desapego.
E no meu canto rouco e desafinado achei minha poesia...
que não via havia dias... que já não via.
Ela estava presa em meus sabores adolescentes... e solta dentro de mim.
Ela era triste... e por muitas vezes vazia.
Ai... ai poesia.
E no meu canto eu voltei no tempo... e parti lentamente desta dimensão.
E no meu canto eu sumi.
Mas só por um momento minha voz encontrou discernimento... pra cantar meus seres.
Pra cantar meus tempos de outrora... pra cantar-me impacientemente.
E a minha poesia tornou-se mais minha e mais do mundo ao mesmo tempo. Tornou-se mais do mundo porque transparece em mim.
                                                              




Tainná Vieira

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Verde-negro



Sonhos que eu vi desabar...
Um vento os levou longe daqui
E os meus olhos alcançam só o verde mar.
É a cor dos meus olhos desde que nasci.

Quatro horas, e o meu sono já não vem.
Cinco horas, e o meu sonho não passou.
Oito horas, e os meus olhos nada veem.
Nove horas, nada além da verde cor.

Barba feita. Praia, sol e um beija-flor.
Lua branca. Mais que flor? eu nunca vi.
Teu olhar já não enxerga minha cor...
Negros olhos. Barba feita e um Bem-ti-vi.

Tua boca, lindos dentes, linda cor.
Branco neve, lua branca, branca flor.
E que olhos são assim daquela cor?
Olhos verdes, negros olhos, linda cor.

Essa boca , essa voz e aquela dor.
Já não sei que dor maior que tu possuis...
Esses olhos, verdes-negros, qualquer cor.
Esconderam a algum tempo a branca luz!!!


Tainná Vieira

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cantarolando!


Se eu fosse fazer uma música agora...
Cantaria os beijos, os abraços e os apertos de mão,
 cantaria os sorrisos e os gritos de alegria...
Cantaria os amores e cantaria os amigos.

E sairia por aí cantando as coisas mais simples
e os amores quase perfeitos, e os sorrisos mais coloridos
e os olhares mais compreensivos
que eu pudesse cantar.

E sairia por aí cantado a vida dos outros
de todos os meus amigos, e as coisas lindas que eu tenho
e os beijos mais apertados
que eu pudesse cantar

Eu cantaria bem alto, bem do alto das estrelas
bem do alto das cidades...
E mesmo que ninguém quisesse me ouvir
mesmo assim eu cantaria...
A música que não existe, porque eu não sei fazer!!!



Tainná Vieira




domingo, 10 de outubro de 2010

Dispropósito!




Hoje eu ainda não fechei os olhos.
Ainda assim, não vejo nada do que queria ver.
Vejo apenas o que eu não li, sinto só o que eu já senti, ando apenas o que eu nunca andei, corro apenas onde eu já passei, choro as lágrimas que eu sempre senti.
Hoje eu ainda não abri a boca.
Ouço apenas o que sei cantar, sonho só o que não sei falar, olho o mar e não explico a cor, piso a terra e não explico o cheiro.
Tem alguém que eu não sei quem é.
Olho alguém não sei se alguém me quer.
Sinto alguém que tem cheiro e tem cor, e esse alguém pode ser meu amor. Meu amor? alguém quer me dizer quem é?
Hoje eu ainda não tapei os ouvidos.
E falo apenas o que não vou contar, e sento só onde não tem lugar. E onde o vazio sabe me enxergar...
Paro e penso. Tento e espero. Olho e saio. Corro e vaio. Fujo e volto. Sonho e solto... o sonho que eu quis ser.
Um tom de cinza, um tom de mar e um furta-cor... e aquele alguém que se dizia meu amor? Nem é amor, nem paixão, nem é calor. Nem atração, nem solução... apenas dor.
Hoje eu ainda não mexi as pernas.
Mas andei tanto, mas corri tanto que estou cansada.
Caminho sã, corrida vã ... e o fim da estrada?
Está tão longe de chegar!



Tainná Vieira

sábado, 9 de outubro de 2010




Buscava inspiração em músicas tristes e por muitas vezes encontrava... mas descobri que essa tristeza vinha não das músicas, mas de mim. Escrevia bem, frases que eu lia e sentia que eram tão minhas, tão de dentro do meu ser, que pensava seriamente em compartilha-las ou não.
Hoje não escrevo mais...
Mas nas vezes que o faço não encontro nos meus versos a minha verdade, a vejo por muitas vezes mascarada atrás de palavras bonitas, que aprendi na faculdade, atrás de dias cansados e produtivos.
Assim sinto uma falta imensa... das palavras que eu não digo mais, dos versos meus que hoje não possuem mais rimas, das coisas tão melancólicas que até eu mesma apagava e refazia várias vezes. Sinto saudade dos beijos, das lágrimas que sempre faziam-se presentes... como poesias românticas de séculos atrás.
E vejo que essa falta... é da vida que eu tinha antes, dos amigos (muitos que não mas vi), das músicas que hoje não tocam mais, dos momentos que não tem mais a importancia que antes eu dava.
A falta é da lentidão dos dias, que eu rezava pra passarem logo.


Tainná Vieira

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


Apenas alguns minutos pra contar tudo que ando sentindo nos ultimos dias é o que tenho. Estou bem, até feliz eu diria, porém tão confusa, tão cheia de incertezas...
Luz no momento é o que procuro. Luz e serenidade.
E nos meus sorrisos sempre percebo uma ponta de razão, e outra de loucura. Será que estou certa ou louca? essa é a pergunta que me vem todo santo dia!
Espero estar LOUCA... já tive certa por muito tempo e isto de nada me adiantou!!!


Tainná Vieira

domingo, 3 de outubro de 2010

Quem eu quero comigo!



Mas são eles...
Que me abraçam nas minhas horas de desespero
Que quase nunca ficam rindo das piadas sem graça que eu conto corriqueiramente.
E por muitos momentos me falam o que eu quero ouvir
Em outros apenas me dizem o que eu preciso ouvir... e falam sem delongas.
Fazem dos momentos mais simples... os mais especiais!
Fazem dos especiais, inequecíveis...
Fazem de mim a menina mais Feliz!
Meus amores... meus amigos que levo sempre comigo...
Meus anjos protetores... Eu amo vocês!



Tainná Vieira

sábado, 2 de outubro de 2010

Segredo!

Reclamas ao dizer que só escrevo coisas tristes, talvez porque escrevo o que sinto. E encontro inspiração nos momentos em que estou triste. Não havia dito nada sobre as coisas que me falás-te. Achei bonito, de bom gosto e me senti especial. Você disse que me via como alguém que não aceitava regras, ou como alguém que queria ser diferente. E eu particularmente penso assim, que eu posso ser melhor ou pior, mas nunca igual. Me faz bem saber que alguém olha isto...
Que alguém nota meu esforço diário.
Menino que eu discordo, menino que digo muitas vezes que odeio...
Você descobriu meu segredo!