segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Flor, dor, fogo e sensação.



Eu agradeço suas flores...

Já mandei alguém colocá-las em um vaso em cima na minha mesinha de cabeceira. Elas representam pra mim nada mais que flores murchas, sem sentimento algum presente naquele cheiro enjoativo. Agora é tarde meu rapaz, não quero flores, nem cartões com palavras bonitas de amor. Nunca foi isso que quis de você.
Eu quis teu brilho, quis o sol em nosso rosto, eu quis você inteiramente.
Nunca sonhei grandes viagens com você, sonhei um marzinho a dois.
Eu te amava com tanta simplicidade, queria só as noites em claro amando você.

Mas de coração agradeço as flores vermelhas que você me trouxe, e também seu cartão com perfume de flor. Apesar de ter desejado uma única rosa, e um simples ''Eu te amo''.
Volto a dizer que agora meu rapaz, que agora é noite e não vou sair com você.
Tenho outros afazeres, novos romances, novas brigas e novas noites em claro, tenho agora talvez, um alguém que me diz coisas ridículas pra me ver sorrindo.
O teu tempo, era o antigamente e passou tão rápido meu ex-amor, que nem vi.
Agora o feliz é perto de mim, e perto de mim os sorrisos sarcásticos e perto de mim, sensação.
E ainda que você mande-me entregar mil vasos com flores, mil cartões com palavras bonitas, ainda assim será pouco pra mim. Porque acabou o sentido de você, acabou o você em mim.

Pega tuas flores, pra eu poder sair de você. Joga terra em cima. Queima estas flores.
Meu lugar é em outro coração, minha casa não é mas você.







Tainná Vieira

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Indigente



Vou sair, quero sair, preciso sair
por favor me deixem sair...

Que já cansei dessa hipocresia que andam espalhando por ai.
Deixem-me só que eu sei cuidar de mim.
Só mesmo, nada tenho pra ter medo de perder.

Trancaram as portas e jogaram as chaves, para eu não poder sair.
Esqueceram também de abrir suas mentes.
Esqueceram de desligar a televisão.

Não escutaram as vozes da dor e da fome,
não viram se quer as bombas de amor, que em meio ao caos
tentavam desabrochar.

Pobre de vocês que não me deixam sair
terão de ouvir as verdades que eu tenho a falar,
enquanto me predem aqui.

Só peço que ao se cansarem de mim...
Não larguem-me por ai, dormindo em qualquer lugar.
Porque assim ninguém vai notar, e
eu vou morrer como indigente, e ninguem mais uma vez,
vai escutar meus gritos de dor e de fome.

Pois estarão ocupados, em frente a TV de plasma.
Enquanto do lado de fora...
eu morro lentamente.


Tainna Vieira


“… É fácil assumir uma posição a respeito de alguma coisa quando não há risco nenhum. É fácil dar esmola prá um pobre se você guarda o resto do dinheiro prá você. É fácil tomar posição contra a guerra, desde que ninguém peça que você se sacrifique…” (Anos incríveis)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pé na estrada, sem violão.




Dos lugares que passei
trouxe apenas o cheiro das flores silvestres.
Trouxe a solidão dos que pareciam mais aflitos.
E as dores dos meus amores.

Nas árvores, as frutas amarelas
no chão um lindo tapete de frutas.
Desses lugares eu trouxe também
algumas frutas.

No horizonte, a sombra
das crianças não vingadas.
E os rios sem águas cristalinas
os rios de pedras,
que parecem ser tão belos.
Trouxe a ternura de um lugar hospitaleiro.
Trouxe a ressaca de uma noite mal dormida.
E a madrugada que passei rindo, com os meus.
Trouxe a saudade de lá.

Na minha volta guardei em mim.
Os sabores, os cheiros,
as lágrimas de uma solene despedida.
A música, que eu sempre ouvia baixinho.

Trouxe a lembrança, dos humildes que conheci.
Trouxe comigo até o que eu não queria.
A realidade, de não ter como ficar.
Deixei pra trás... pra nunca mais voltar a ver.
Meu coração.
Tainná Vieira


terça-feira, 23 de novembro de 2010

O muito que nada me diz!



Por muito tempo olhei a vida com um ar de superioridade.
Achando saber manobrá-la, dominar as suas peripécias.
E lá vem ela, verdejante-rubra.
Lá vem ela me dizer que nada sou.

Foi-se embora a minha superioridade,
meu ar de desprezo nas tardes tristes.
Me jogou, me fez dela prisioneira...
Esta vida, que sem pensar escolhi ter.

Noites perdidas,
que passo em claro pra tentar adiantar a vida.
Como se me pudesse planejar.
Sem saber que depois ela vem, pra me dar uma rasteira.

Falo geralmente da vida.
Passando por cima das coisas simples.
Falo do amor, da dor, das grandes alegrias.
Mas esqueço as flores silvestre, falo somente das rosas.

Daí vem ela , magestosa!
Somente pra me mostrar que o importante
é o pouco.
Que o pouco é quem liga a vida,
nos minimissímos detalhes.

Aprendi amar o pouco,
que se transforma no muito
quando a gente dar valor.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quase separação





Encontrei no teu silencio meu companheiro perfeito.
Entra e senta aqui comigo, sente um pouco este silêncio.
Que é paz, ou solidão.
Mas o que eu quero dizer ele não pode escutar.

Sai daqui de manhazinha e deixa limpo meu sofá.
Teu silêncio me acalmava.
Hoje me machuca tanto.
Teu silêncio meu ex-guia meu atual namorado.

Tanto ardor nessa tardinha
Neste céu avermelhado, que chega a doer na alma.
Este silêncio sagrado.
À noitinha você chega sem dizer uma palavra,
O jantar não está bom? Está boa a companhia?

_ Isto não são respostas para agora!

É o som que sai da boca do meu marido-amante
Meu eterno namorado.
E ao deleitar seu silêncio
Acho todas as respostas, acho todos os lugares.
Aonde ele queria estar.

O vento frio da noite traz consigo outro silêncio
Ele vem me abraçar.
Meu agasalho perfeito.
Agora o silêncio é caminho.
Estrada pra um recomeço.



Tainná Vieira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entre as bijouterias.




E na bagunça do meu quarto, eu bagunçei minha vida.
Entre discos, entre livros, estava ela por lá.
Nos meus frascos de perfumes, no quilos de maquiagem, parecia tão pedirda.
Que vida tão frágil é esta que se perde entre lençóis?

E tento achar um momento, para arrumar o meu quarto.
Nos meus minímos detalhes, vasculhando cada canto, desta humilde confusão.
Cartas velhas, roupas velhas, cheiros de antigos amores.
Descartar estes pertences, que não me pertencem mais.

Tirar daqui estes cheiros, estas caixas de lembranças
Estes jogos de crianças, e os meus livros de romance.
Jogar fora os meus retratos, minhas fitas de cetim.
Jogar fora essa saudade, e essa mágoa incumbida.
E perder-me a cada instante nesta confusão sagrada.

E a vida é o reflexo do meu quarto.
Uma doce confusão,com  uma música alegre de fundo.
Naquelas bijouterias de plástico velho e sem brilho...
Naqueles velhos brinquedos de cima da minha cama.
Minha vida, minha lida... perdida nesta bagunça.


Tainná Vieira

domingo, 31 de outubro de 2010

Incerteza




O mundo em que eu brincava de boneca, hoje é pequeno demais.
Dentro dele já não cabe os meus sonhos e eu.
E eu durmo esperando que ao despertar encontre esse tal amanhã que tanto vejo falar.
O amanhã-futuro.
Onde eu nada sei e não percebo a rotação da terra.
O amanhã-surpreza.
Onde as vezes o sol aparece, e as vezes se perde nos meus olhos tão famintos de vida.
E amor nesse amanhã é tão sem importância, tão descartavel, a amizade tão cheia de diferenças.

E a vida velha é somente as vinte e quatro horas do amanhã, apenas um dia, uma estrada onde eu as vezes paro, sento, respiro e continuo a me perder.

O amanhã-saudade.
Onde eu nada vivi, mas sinto uma tremenda falta de não ter vivido.
E sinto saudade das palavras que eu não disse.
Das risadas que eu não dei.
Dos amigos que eu não abracei e dos inimigos que não confrontei.
Saudades dos amores que eu não beijei, dos conhecidos que eu não conheci.

Durmo na esperança de que chegue logo...
O amanhã-verdade.
Onde eu quero viver intensamente.
Amar inconscientemente.
Sonhar o impossível.
E ficar rindo da vida, e ser vida.


Tainná Vieira


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

De Mudança.





Foram as melhores noites de insônia.
As melhores despedidas, os melhores "adeus''!


Desses dias que eu passei junto a você, o que levo é alegria das nossas magoas, dos nossos recentimentos.
O que levo é você comigo, cada vez que me sinto solitária.
Levo teu jeito, teu cheiro, tuas palavras amargas de amor.
Levo a solidão e angústia das nossas lágrimas perdidas.
Levo meu medo, e pego carona na tua firmeza pra ver se chego naquele lugar... onde costumavamos planejar o mundo.
E o meu apego parece mais um grito de desespero que ecoa como vozes num vulcão.
Mas quando eu fico de bruços sobre minha janela... sempre penso que você vem, sempre enxergo aquela camisa azul que você gostava tanto. E o jeito como você balançava o seu cabelo.
Faz tanta falta pra mim... que agora me vejo entre tantos livros.
Descobrindo um mundo novo, onde nosso amor não cabe.
Não te vejo nas minhas letras de música, nem nos meus poemas românticos.
Não te vejo no francês que teimo em aprender. Nem no espanhol mal falado.
Na minha nova cultura, você não está. Nessas rodas de conversa sobre música barroca, ou sobre política boba, ou sobre os meus novos vicios.
E te sinto somente nas horas vagas, quanto fico na janela debruçada a tua espera, sem você nunca chegar!

Foram os melhores desejos...
Naquele lugar que hoje deve ter novos amantes, novos gostos, novos cheiros.
Novas mágoas, novas brigas... novas promessas de amor.
Não é mais a nossa casa, nossa mobília empoeirada, não é mais nosso jardim, daquelas flores tão murchas que exalavam um perfume, de nostalgia e de flor.

Nosso lugar preferido, onde faziamos as pazes.
Perdeu-se, na frágil monotomia dos versos que ninguém ler mais.
Não se ouvem mais as músicas, nem as festas na fogueira, nem as nossas gargalhadas e os suspiros de amor.
Perdeu-se junto com os livros que agora ninguém ler mais e nos poemas românticos que eu não vejo mais você.




Tainná Vieira

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Isso tudo que não vem.


Não são os olhos, nem os beijos, nem os abraços. Não é nada disso que me faz amar você. As cartas de amor, ou as rosas roubadas pra mim, também não é isso que me faz amolecer diante do seu cheiro. E também não é seu cheiro que me faz amar-te assim.


É toda a novidade que você me apresenta, é todo pavor que eu sinto cada vez que você vai pra longe de mim e a dor de pensar que você não me ama. É o ciúme que às vezes parece me arrancar dos olhos faíscas. Esta ânsia de te esperar todas as noites de lua. E o incrível medo dos dias de chuva sem aquele casaco velho que você tem guardado pra mim.

Nestes dias que você não vem me ver, parece que eu te amo mais. Parece que eu só te amo quando você me faz sofrer. Porque o frio fica tão cortante, a lua tão sem brilho. Os meus olhos tão sonolentos.

E a toda a verdade é que eu te amo por causa das nossas brigas, das nossas idas e vindas. De todas as vezes que a gente discorda e das outras que nem se quer nos olhamos de amor. Embora isso tudo pareça tão lógico pra você, é tão difícil pra mim confessar que te gosto mesmo nos domingos do teu sagrado futebol, mesmo nas tardes de sol que nunca aproveitamos, e nos dias de comemoração que quase nunca comemoramos.

É tão ruim amar você... Apesar de ser tão bom. Porque às vezes é só por tá perto, só pra sentir teu calor que eu te quero, e você nem vem.

 
 
 
 
Tainná Vieira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Verdade


Vi os meninos brincando na areia.


Estavam brincando, estavam brigando...

O menino disse, assim: Sai daqui! Que ele agora é meu amigo

Outro disse ainda: Ele está enganando você.

E o menino respondeu: Está me enganando não!

Percebi imediatamente nessas palavras uma verdade infinita...

Menino que brinca entre britas, você é tão verdadeiro!



Tainná Vieira